Museu
Estava frio, muito frio. O meteorologista anunciava -5 graus. A neve tomava conta de Paris. Acordei lentamente e me ajeitei para ir ao Museu com Violeta."Nossa, desculpe mas não vai dar, estou doente. Desculpe,da próxima vez eu pago." Desculpou-se Violeta na mensagem deixada na secretária eletrônica. Tudo bem, iria sozinho.
Em frente ao Museu de História Natural de Paris, uma fila de pessoas: adultos, crianças, idosos, todos ansiosos para a abertura.Fui até o fim da fila,desanimado."Primeiro a neve,depois o cancelamento de Violeta e agora essa fila?" pensei. Para a minha sorte, abriu logo em seguida ao passar pelas gigantes portas do velho museu, meu rosto inundou-se do ar quente lá de dentro.
Me dirigi ás escadarias que levavam ao segundo andar. Fui direto para a seção de Arqueologia. "Minha preferida." Explorei novamente os ossos gigantes deixados pelos Dinossauros, os documentos históricos das escavações e os instrumentos achados na Pré-História.
Resolvi explorar as outras seções também: o Zoo, o Atlântida, que havia enormes tanques com todos os tipos de peixes, a seção de Geografia dos países, as Ciências completas, passando pela ala dos Quadros até parar para almoçar. Continuei visitando e até tomei algumas notas. Sabia que o Museu fechava ás 18:00 hs, então estranhei quando, ás 18:20h, ouvi um grito. Percebi que o Museu havia fechado comigo dentro e me desesperei.Chequei o celular: Sem Sinal. Começava ali a noite mais terrível da minha vida.
Sentei.Esperei.Cansei.Resolvi procurar de onde aquele grito tinha vindo. Acertei de primeira: fui até o Antlântida e arregalei os olhos, horrorizado com a imagem de uma mulher boiando, morta, em um dos tanques. Saí correndo imediatamente e me abriguei no Zôo. Isso foi um erro. Percebi uma agitação na cela dos leões. Fui para lá, imaginando o que iria ver. E vi: sangue, roupas e pedaços do que parecia ser um homem. Eu estava no terceiro andar, então corri para a ala de Ciências. Imediatamente, ouvi uns grunhidos e enxerguei um tanque escrito "Ácido Sulfúrico". E havia alguém lá. Lá dentro. Fiquei totalmente nauseado e me sentei no chão. "Ele está me seguindo. É a mim que ele quer. Com esse homem já são três vítimas. Ai meu Deus."
Não chorei, não gritei, mas estava assustado demais para caminhar. Desci ao segundo andar
e entrei na ala de Arqueologia. Com certeza eu seria o próximo. Então vi, mais uma vez arregalado de horror, uma mulher sufocada de terra e enterrada até a cabeça juntos aos ossos e um homem meio embalsamado, em um caixão aberto no meio das múmias. Meu coração apertou de dor e de terror.Chorei por vários minutos até que resolvi descer para o primeiro andar.Foi então que eu a vi.
"Violeta." , chamei dolorosamente. "Violeta!". Ela estava atirada na escada, atingida no peito por uma espada japonesa. Sutil, fluía o sangue pela escadaria. Corri para ela, soluçando de tristeza e chequei seu pulso: fraco, mas estava lá. "Roberto", sussurrou baixinho, "Ele me disse que você est...estava em perigo.Então era v...verdade." "Não, Violeta, não fale, vou tirar você daqui", falei, tentando movê-la. "Não quero, d...deixe eu ficar as...assim. Só me abrace.", disse, entrecortante, Violeta. Fiz o que pediu. "Desc...culpe eu não poder v...vir ao museu com você." "Sssh, está tudo bem.". Ficamos assim por um bom tempo. Vagarosamente, percebi contra minha vontade, que Violeta morrera. Tinha ido embora, minha melhor amiga, nos meus braços.
Tive que deixá-la ali e segui, chorando. Coberto de sangue que não era meu. Gritei, chutei uma lata de lixo e entrei em desespero. Todas aquelas mortes por quê?? De repente um homem apareceu. Reconheci-o imediatamente como o guarda noturno. Me levantei rápido e comecei a gritar para ele, por socorro. Parei. Parei porque em seu rosto havia um sorriso maldoso e suas roupas estavam ensanguentadas. Percebi que estava olhando o Diabo em pessoa. Fiquei paralisado de medo e não tive forças para correr. Algo me atingiu por trás e eu caí. Senti uma seringa sendo violentamente inserida no meu pescoço.
Logo veio a paralisia que tanto me agoniava. Envenenado, eu suava frio e tremia involuntariamente. Dormi. Ou desmaiei, pois acordei no hospital duas noites depois.Nos jornais, essa mesma hitória era narrada na primeira página. Prenderam o gurda e seu ajudante também. Foi alegado insanidade, mas não podia ser só isso. Não mesmo.
Mesmo assim, depois disso, nunca mais fui a um museu.