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junho 2009

domingo, 7 de junho de 2009

Vôo Macabro

         Londres. Tóquio. Nova York. Iraque. Iraque? Nossa, não tinha a mínima idéia do que escolher. Tinham me ligado dizendo que eu teria ganhado uma viagem para onde eu quisesse. De avião, claro. Claro, tinha que ser.Meu nome é Amy, por sinal.                                                                                                                                                                Era uma sexta feira 13 quando eu resolvi embarcar no vôo das 15:00 h para Londres. Não acredito em superstições, mas confesso que estava um pouco... assustada. O aeroporto já tinha sido avisado da minha promoção, explicada como “bônus do cartão de crédito.” Finalmente os presentes de Natal tinham vindo a calhar. Então, o vôo 269 da Compania Aérea Internacional Flight decolou comigo e com mais 44 passageiros.

         Lá dentro, pelo menos na 1ª classe, era calmo e agradável, logo depois do barulho horrível das turbinas e motores no momento em que decolamos. Tinha televisão, barzinho e era espaçoso e muito bonito. Tudo estava perfeito. Eu fiquei na janela, por sorte. Ao meu lado estava um homem muito atraente e bem vestido, e seu perfume era ótimo. Ele me perguntou as horas e, durante muito tempo, não falou mais nada. Na volta da minha ida ao banheiro, me lembro de ter visto uma aeromoça me olhar com ódio, de relance. Mas era um ódio profundo e duradouro, quase rancor. Mas eu nunca tinha visto aquela mulher na vida, então nem me preocupei.                                                                                                                                   

                                                             Sentei-me e o homem, que se chamava Evan por sinal, começou a falar sobre sequestros e tal, e eu achei tudo muito estranho. Ele me perguntava coisas do tipo “você já foi sequestrada? algum filho sequestrado? sabe como é horrível?”,coisas sem sentido. Não, eu nunca tinha sido sequestrada, a pior coisa que tinha acontecido foi quando meu peixe morreu. Eu tinha 23 anos, uma vida pela frente e tudo, e não ia deixar aquele homem estragar minha viagem com aquele papo de doido. Então, pedi licença e disse que ia ir ao barzinho. Sozinha.                                                                                                                                                                                                      

      Ele me seguiu com os olhos. Por um momento, eu vi aquele mesmo olhar de ódio na minha direção, mas quando virei novamente, ele sorriu.                                                                                                                                              

Tomei três taças de vinho tinto e quando olhei para o lado, Evan estava lá. Sim, eu me assustei e me engasguei com o vinho, ora, aquele sujeito estava me seguindo! Imediatamente ele disse que era melhor voltarmos a nos sentar. Não discuti, ele poderia ser perigoso. Então, todas as luzes se apagaram. Começou uma terrível turbulência e eu fiquei em pânico, não sabia o que fazer. Minha tia-avó havia morrido numa dessas, desde então eu tinha pavor de aviões. Para falar a verdade, só tinha ido nessa viagem porque era de graça. Enfim, o avião parecia um aviãozinho de papel nas mãos de uma criança, porque estava tão horrível que as máscaras de oxigênio desceram. Depois que tirei a máscara, e tudo voltou ao normal, o homem não estava lá. Na verdade, tudo estava diferente. As cores, o bar, os passageiros, não eram os mesmos. Eu estava normal, mas todo o resto ao meu redor tinha mudado. Mas o pior é que eu estava a muitos metros da superfície, e ninguém poderia me salvar.                                                                                                         

                                          Eu não sabia se estava louca, doente, sonhando ou com sono. Ou envenenada. Na mesma hora, lembrei do vinho que tinha tomado, Três vezes. Ai, como podia ter sido tão estúpida?Não se aceita nada de estranhos, mesmo dentro do avião. “Imagina, eu, drogada, num avião, indo para Londres. Ótimo.”, pensei, sem saber o que fazer. Então, um homem sentou-se ao meu lado.                                                                                                

                 Não era Evan, mas sim Adam, e isso foi descoberto por mim no meio de umas das conversas sobre assassinato. Quase sequestro, pensei. Ele era muito semelhante ao Evan, e eu não gostei disso. Tentei desviar minha atenção, em meio das palavras ‘morte’, ‘dor’, ‘culpa’ e entre outras, usadas muitas vezes por Adam. Pedi licença de novo para ir ao banheiro. Notei que as aeromoças também haviam mudado. “Isso é loucura”.       

   Entrei no banheiro, tranquei a porta, lavei o rosto. “Droga, borrei o rímel”. Ah, isso não tinha importância, eu podia até morrer naquele avião. Bochechei, cuspi, sequei o rosto, arrumei meus brincos e abri a porta.                                                                                                                                                                                      

            “Ah, não. Não, não, não, não. Tudo mudou de novo...?!?”                                                                             

                 Meu Deus, nem na água da pia dava para confiar! Meu lugar estava ocupado por uma senhora de cabelos ruivos e cheia de tatuagens. Procurei um lugar vazio e esfreguei as têmporas. Mas que tipo de avião era aquele? Então, veio o pior. Jogaram-me no chão e começaram a me espancar. Naquele momento, eu estaria passando pelo inferno. Eu perdi muito sangue, gritava, sem entender como uma viagem tão especial havia se tornado uma sessão de tortura. Quando pararam, eu estava quase desmaiada, lágrimas e sangue ‘lavando’ meu rosto. Arrastaram-me até o lugar das bagagens e me deixaram lá, semimorta, lutando pela minha vida. Meus pensamentos de dúvida doíam na minha cabeça latejante, até eu finalmente adormecer, de tanto chorar. Ninguém nunca acreditaria, afinal não há nenhuma testemunha, somente eu. Mas vale tentar.                     

 Acordei no mesmo assento que eu tinha sentado da primeira vez que entrei nesse avião macabro.Óbvio que eu estava tonta, sem entender que raio de droga teriam me dado, e nem por quê.                                        Evan não estava ali. Então aconteceu uma coisa que eu não saberia explicar, talvez fosse o efeito das drogas: todos viraram para mim e seus rostos se contorceram para baixo surrealmente, como se chorassem lágrimas negras e seus traços faciais fossem com elas. Foi horrível. Gritei e apertei minha cabeça entre as mãos, fechando os olhos. Abri, e tudo estava normal. Aterrissamos, Londres é lindo, nunca mais vi Evan, Adam nem ninguém daquele vôo 269.                                             


           Hoje em dia sou aeromoça.                                                                                                                                                                         

  Entenda como quiser.  



Jess hid their secrets at 00:28

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